Informações sobre hipertensão, causas, sintomas, prevenção e tratamento da hipertensão arterial, identificando os tipos de problemas associados.


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Lesão cardíaca hipertensiva

Galope atrial é uma pista comum e vital para a presença de doença cardíaca hipertensiva. Dano cardíaco hipertensivo também é identificado pela hipertrofia ventricular esquerda. 
O ECG é a forma de diagnosticar e excluir hipertrofia ventricular esquerda. No entanto, em comparação com a ecocardiografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, o ECG tem apenas 10% a 50% de sensibilidade e 80% de especificidade. No entanto a despesa destes métodos mais precisos de triagem para hipertrofia ventricular esquerda limita o seu uso. Um ecocardiograma limitado que calcula com precisão o tamanho LV e fornece informações sobre a geometria ventricular é uma escolha razoável Evidência de ECG para hipertrofia ventricular esquerda está associada com um aumento de aproximadamente 3 vezes nos eventos cardiovasculares. Em vários estudos, a hipertrofia ventricular esquerda foi o mais poderoso de qualquer um dos tradicionais fatores de risco cardiovascular, para prever a ocorrência de insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e morte em pacientes com hipertensão. Em pacientes com hipertensão de estágio 1, a deteção de hipertrofia ventricular esquerda levaria a reclassificação do paciente para o estágio 2 e indicaria a necessidade de tratamento medicamentoso anti-hipertensivo mais cedo, do que se o paciente estivesse livre de lesões de órgãos-alvo.
Hipertrofia ventricular esquerda está associada à hiperplasia íntima das artérias coronárias epicárdicas, o aumento da resistência vascular coronariana, o aumento da intensidade e da frequência de arritmias ventriculares e redução do relaxamento diastólico. Disfunção diastólica grave pode resultar em crise de edema pulmonar. A relação entre a massa do VE determinada pela ecocardiografia e o risco cardiovascular é contínua.
A classificação em hipertrofia concêntrica ou excêntrica e remodelação concêntrica usando a proporção da parede ao raio (valores superiores a 0,45, definem padrão concêntrico) mostrou também ter valor para prever o risco.

Crise Hipertensiva

A crise hipertensiva se constitui situação clínica na qual ocorre uma brusca elevação dos níveis da pressão, acompanhada de sinais e sintomas, tais como cefaléia, alterações visuais recentes e vasoespasmo ao exame de fundo de olho. O encontro de níveis tensionais elevados acompanhados de sintomas requer adequada avaliação clínica, que inclui exame físico detalhado e fundoscopia.
É importante ressaltar que é comum a existência de situações de estresse psicológico agudo associadas à presença de níveis de pressão elevados, mas que não caracterizam crise hipertensiva. Nessa situação, recomenda-se o tratamento agudo do estresse psicológico. A hipertensão arterial deverá ser tratada em ambulatório.
A crise hipertensiva pode ser dividida em urgência e emergência hipertensivas.
1) Urgências Hipertensivas
Nas urgências hipertensivas, os aumentos da pressão arterial, por mais elevados que sejam, não estão associados a quadros clínicos agudos, como obnubilação, vômitos, dispnéia etc e portanto, não apresentam risco imediato de vida ou de dano agudo a órgãos-alvo (como, por exemplo, hipertensão acelerada e hipertensão perioperatória). Nessa situação, o controle da pressão arterial deve ser feito em até 24 horas. Inicialmente, a pressão arterial deve ser monitorizada por 30 minutos. Caso permaneça nos mesmos níveis, preconiza-se a administração, por via oral, de um dos seguintes medicamentos: diurético de alça, betabloqueador, inibidor da ECA, ou antagonista dos canais de cálcio. Embora a administração sublingual de nifedipina de ação rápida tenha sido amplamente utilizada para esse fim, foram descritos efeitos colaterais graves com esse uso. A dificuldade de controlar o ritmo ou o grau de redução da pressão arterial e a existência de alternativas eficazes e mais bem toleradas torna o uso desse agente (nifedipina de curta duração de ação) não recomendável nessa situação.
2) Emergências Hipertensivas
Nas emergências hipertensivas, a crise é acompanhada de sinais que indicam lesões em órgãos-alvo em progressão, tais como encefalopatia hipertensiva, acidente vascular encefálico, edema agudo de pulmão, infarto do miocárdio e situações de hipertensão maligna ou de dissecção aguda da aorta. Nesses casos, há risco iminente de vida ou de lesão orgânica irreversível, e os pacientes devem ser hospitalizados e submetidos a tratamento com vasodilatadores de uso endovenoso, tais como nitroprussiato de sódio ou hidralazina. Depois de obtida a redução imediata dos níveis de pressão, deve-se iniciar a terapia anti-hipertensiva de manutenção e interromper a medicação parenteral.
A hidralazina tem contra-indicação nos casos de cardiopatia isquêmica ou infarto do miocárdio e de dissecção aguda de aorta, por induzir ativação simpática (com taquicardia e aumento da pressão de pulso). Na fase aguda do acidente vascular encefálico, a redução dos níveis tensionais deve ser gradativa e cuidadosa, evitando-se reduções bruscas e excessivas. Preconiza-se que, nas primeiras 24 horas a 48 horas, os níveis tensionais diastólicos sejam mantidos ao redor de 100 mmHg. Após esse período, de forma cuidadosa e progressiva, pode-se reduzir os níveis tensionais para valores dentro da faixa de normalidade.
Para as demais situações, nas quais os níveis tensionais, embora bastante elevados, não se acompanham de sintomas ou deterioração de órgãos-alvo, não caracterizando, portanto, situações de urgência ou emergência hipertensivas, está indicado o tratamento ambulatorial.